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Coerência e Coesão Textual Escrever Redação

Antes de qualquer coisa é essencial saber que, ao escrever um texto, você deve produzir um sentido que possa ser interpretado por quem recebe a mensagem ali inserida, ou seja, o leitor. Este, que é o destinatário da mensagem, precisará enxergar as relações que necessariamente você deverá ter feito entre as partes ou unidades do texto, para que possa haver uma interpretação pertinente do conjunto. Veja como escrever uma boa redaçao para concurso público em relação a coerência e coesão textual.

Coerência textual

é isto: um número adequado de relações entre as partes do texto, permitindo ao leitor compreendê-lo. Portanto, não bastará um emaranhado de frases, orações e períodos, se você não for capaz de associá-los apropriadamente, formando um todo que seja significativo para seu leitor.

Por isso, é importante escrever sempre pensando no destinatário, em suas expectativas quanto ao conteúdo que se quer transmitir, na capacidade que ele tem de entender a mensagem.  Você estará, assim, antecipando ações e estratégias que são determinantes para a redação de um bom texto.

Depois do que dissemos, fica fácil perceber que um texto, para ser considerado bom, tem de alcançar o público leitor ao qual se destina e isso só é possível se houver uma mensagem clara e objetiva, com a articulação precisa entre todas as partes e ideias. Em outras palavras, o texto que você escreveu não pode apresentar nenhum entrave à leitura, que deve ser fluida e produtiva, possibilitando uma interpretação certeira do conteúdo. Vejamos alguns exemplos:

  1. Partido voto acordo desfiliações anunciado certas se próximas o aberto haverá o de rejeitar previamente nas.
  2. Se o partido rejeitar o acordo, previamente anunciado, do voto aberto, haverá desfiliações certas nas próximas convenções nacionais.

No primeiro caso, percebemos que o texto não tem um sentido claro. Não há sequências lógicas de palavras que possibilitem qualquer interpretação, apesar de sabermos que todas as palavras pertencem à língua portuguesa, havendo substantivos (partido, convenções, acordo, voto, subvenções), um verbo (haverá), adjetivos ou palavras com essa função (anunciado, aberto, certas, próximas, nacionais), artigos (o, as unido à preposição em), advérbio (previamente) e preposição (de unida ao artigo o, em unida ao artigo as).

Você pode tentar fazer associações de sentido entre os substantivos e descobrir que são termos referentes ao mundo político, ou mais especificamente às rotinas funcionais dos políticos (partido, voto, convenções, etc.). Mas o que é certo é que a forma como as palavras estão dispostas no exemplo coloca muitas dificuldades à interpretação do leitor e isso é inadmissível em um texto que precisa ser coerente para poder transmitir a mensagem com eficiência.

O exemplo em b apresenta as mesmas palavras de a, só que, ao contrário, estão organizadas de forma a garantir interpretabilidade ao conteúdo como um todo. Nesse sentido, o que de fato vai revelar a qualidade de um texto será sua eficácia comunicativa.

Ao escrever, você deverá desenvolver um tema previamente dado ou escolhido, acrescentando comentários e informações esclarecedoras e pertinentes a esse tema. O entrelaçamento entre tema, informações e comentários é o que dará coerência ao texto, e isso só será possível se essas partes estiverem suficientemente conectadas, coesas.

Isso quer dizer que um período (ou um parágrafo) deve sempre estar ligado ao seguinte ou ao que vem antes dele de maneira harmônica, mostrando nitidamente a progressão das ideias. Para tanto, devem-se observar certos mecanismos para uma boa coesão do texto:

1) Uso dos CONECTIVOS (advérbios, conjunções, locuções adverbiais e pronomes), que são elementos de transição entre as partes do texto.

Exemplos:

  1. É bom que ele diga a verdade, aliás, toda a verdade. (o conectivo anuncia um argumento mais enfático)
  2. O entrevistado não atendeu às exigências, embora reconheçamos sua capacidade. (o conectivo introduz uma concessão em relação à ideia anterior, que é a principal)
  3. Ainda que vivam muito, não poderão evitar o peso dos anos. (o conectivo introduz uma concessão em relação à ideia seguinte, que é a principal)
  4. Durante o processo, arrolaram-se testemunhas e fizeram-se acareações. Por fim, os indiciados transformaram-se em réus. (o conectivo introduz uma ideia nova, sequencial e conclusiva)
  5. Suas reivindicações não só foram ouvidas como também levadas à apreciação do conselho. (o conectivo introduz uma nova ideia)
  6. Nem as boas perspectivas do mercado nem a inflação reduzida melhoraram o ânimo do consumidor. (o conectivo introduz ideias que se somam)
  7. O trabalho foi aprovado com louvor. Logo, o diploma está garantido. (o conectivo introduz uma ideia que reforça e complementa a anterior)
  8. Para viver em sociedade, devem-se observar certas normas de convívio, ou seja, educação, cordialidade, respeito, etc.. (o conectivo anuncia um esclarecimento da ideia anterior)
  9. Nossas expectativas de que ele vencesse a disputa eram bem altas, entretanto, não foi o que ocorreu. (o conectivo introduz uma ideia oposta à anterior)

Pelos exemplos é possível perceber a importância dos conectivos para a devida articulação das ideias. Eles contribuem enormemente para a coesão textual, produzindo coerência.

2) Outro aspecto importante a se observar para que haja coesão entre os constituintes de um texto é a CONCORDÂNCIA, que assim como os conectivos, tem a ver com a boa ligação entre as palavras. Observe o seguinte texto:

Uma ideia pode ser ampliada, aprofundada ou esclarecida por meio de histórias que lhe sirvam de ilustração. Dependendo do tipo de texto, as histórias podem ser cômicas, engraçadas, pitorescas, históricas, heroicas… A escolha vai depender das intenções do autor e do tipo de texto.  (GARCEZ, Lucília. Técnica de redação. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2004)

Na primeira linha, os elementos em negrito concordam com a palavra ideia, pois apresentam o mesmo gênero (feminino) e número (singular) que esta. Na última linha, os elementos em negrito concordam em gênero (feminino) e número (plural) com a palavra histórias.

Coesão referencial 

Ocorre quando utilizamos elementos do próprio texto, evitando-se, assim, repetições desnecessárias. Para isso, podem ser utilizados pronomes pessoais (ela, ele, nós, etc.), pronomes possessivos (meu, minha, seu, sua, nosso, nossa, etc.) e pronomes demonstrativos (este, esta, aquele, aquela, etc.).

Exemplos:

  1. André Rodrigues era o prefeito da cidade quando aconteceu a inundação. Ele disse, à época, que a responsabilidade era da gestão anterior. (o uso do pronome evita a repetição do nome próprio)
  2. O depoimento da testemunha estava marcado para amanhã. Sua versão dos fatos era bastante aguardada. (o pronome evita a repetição da palavra testemunha)
  3. Devemos nos dedicar à educação dos filhos. Estes serão o futuro do país. (o pronome evita a repetição de filhos)
  • Ocorre COESÃO LEXICAL quando utilizamos sinônimos, palavras ou expressões equivalentes, para substituir elementos que já foram citados no texto.

Exemplos

  1. Pelé foi o maior jogador da história. Nosso camisa 10 comandou o Brasil na conquista de 1970. (as palavras em negrito substituem, por equivalência, a Pelé)
  2. O Doutor André Gomes é uma das referências mundiais no tratamento do câncer. O cientista tem vários trabalhos publicados sobre o tema. Na próxima semana, durante o congresso de medicina, haverá uma palestra desse renomado estudioso. (as palavras em negrito substituem, por equivalência, a Doutor André Gomes)
  • COESÃO POR SUBSTITUIÇÃO ocorrerá quando se utilizam palavras ou expressões que resumem e retomam o que já foi dito, tais como: Diante disso,…; Em vista disso,…; Com base no que foi dito,…; Em decorrência desse fato,…; etc.
  • Coerência e Coesão Textual

 

Sobre Raul Junior

Fundador do site Provas de Concurso com o objetivo de ajudar concurseiros e estudantes, com dicas e informações sobre concursos públicos