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Como Fazer Uma Boa Redação Para Concurso

A primeira providência a se tomar ao prestar uma prova com questões discursivas e/ou redação é ler as exigências no edital, como por exemplo, o número mínimo e máximo de linhas e qual o tipo textual que você precisará desenvolver (dissertativo, narrativo, descritivo etc).

Fugir a essas recomendações nunca é bom e pode acarretar na anulação da parte dissertativa da prova, o que reduz muito a nota do candidato. Se o texto pedido é de 20 a 30 linhas, textos com menos de 20 linhas, provavelmente nem serão lidos e em textos com mais de 30 linhas, as linhas a mais serão desconsideradas. Da mesma forma, se o texto pedido for dissertativo e o candidato escrever um texto narrativo, é bem provável que o texto seja anulado.

Como Fazer Uma Boa Redação Para Concurso

Como a maioria das provas pede textos do tipo textual dissertativos, é importante que você saiba como desenvolver essa estrutura textual. Se o texto pedido for longo, você deve seguir a seguinte estrutura: introdução (parte inicial do texto, na qual você deve situar o leitor, informá-lo sobre o que pretende discutir no texto), três argumentos (correspondem aos motivos ou razões no qual você se baseia para defender determinada idéia, cada um desses argumentos deve ser organizado em um parágrafo) e conclusão (parágrafo no qual você pode retomar a sua ideia principal ou tese e, se possível, deve dar uma possibilidade de resolução do conflito ou problema apresentado).

Além do que foi citado acima, também é de extrema importância que você não fuja ao tema pedido. Em muitas provas, cometer esse erro pode ser suficiente para que sua redação seja anulada e, consequentemente, você seja desclassificado.

Erros comuns em escrever uma redação

Evite cometer erros como: gerundismo, uso de frases feitas, informações desnecessárias, falta de pontuação, erros de concordância e erros ortográficos. Ao escrever o texto da redação, procure escrevê-lo da forma mais clara possível. Seja objetivo e conciso em seu texto, escreva apenas o que for necessário e o que for acrescentar idéias importantes ao texto.

Rascunho da redação

Releia o rascunho da redação antes de passá-lo na folha definitiva. Tudo o que estiver sobrando deve ser cortado do texto. Além disso, na hora de passar para a folha definitiva, capriche na letra, ela não precisa ser necessariamente bonita, mas deve ser legível. Dessa forma você garante que sua redação inteira será corrigida sem problemas. Procure pensar que seu texto deve ser completamente compreendido pelo corretor. Por último, passe a redação para a folha definitiva com bastante calma e concentração e evite rasuras.

Harmonia, clareza e estrutura da frase

Ao escrever, necessitamos acionar mecanismos da língua escrita para organizar adequadamente nossas ideias no papel. Mas antes disso, é fundamental ter em mente que o passo inicial para um bom texto é compreender o assunto que será abordado. Não adianta vontade, entusiasmo, se não houver a base de conhecimento e de informações necessárias para desenvolver adequadamente um tema. Portanto, a dica principal, que certamente não é novidade para você, é ler, ler e ler.

Não há como escrever bem sem o recurso da leitura. É através dela que você entrará em contato com as diversas estruturas e palavras da língua escrita. Visualizar e contextualizar essas estruturas e palavras repetidamente é o que permitirá fixá-las. E isso só é possível se você se dedicar ao máximo a leituras diversificadas e de qualidade.

Quem não exercita a escrita juntamente com a leitura corre o risco de produzir textos incoerentes, ambíguos, obscuros ou que não estejam de acordo com a norma padrão; em suma, textos que não alcançam com eficiência o objetivo principal de se escrever, que é a comunicação clara, objetiva e bem fundamentada das ideias.

Se você não trabalhar esses dois recursos, que são essenciais à comunicação escrita, seu texto final poderá apresentar defeitos que não passarão despercebidos a um leitor ou avaliador atento.

Leia e releia o que você escreveu quantas vezes for necessário. “Apare arestas”, “enxugue excessos”, substitua, elimine ou adapte palavras e frases, para produzir um conteúdo que seja, principalmente, compreensível e direto, mas sem deixar de ser harmônico aos ouvidos.

A Harmonia do texto

Um texto em prosa escrito harmonicamente não deve conter:

  • Repetição em excesso dos mesmos sons – ou fonemas –, em frases ou períodos não muito extensos (ALITERAÇÃO).

Exemplos:

  1. Sabe-se somente que seu sucesso seria sabotado em breve. (aliteração do fonema /s/);
  2. Duvidou-se da dura dieta do deputad (aliteração do fonema /d/);
  • Repetição de terminações idênticas (RIMA).

Exemplos:

  1. Pedimos que ele comente somente o que sente o demente.
  2. Notório acessório no consultório é o supositório.
  • Emenda de vogais (HIATISMO).

Exemplos:

  1. A juíza Ana Amélia analisa a ação.
  2. Enviou o ofício homologando o ordenado oficial dos funcionários.
  • Encontro de sílabas de palavras diferentes, formando um som desagradável ou uma palavra com sentido indesejado ou deselegante (CACOFONIA).

 

Exemplos:

  1. Estiveram por lá na vez pa
  2. Fazendeiro cerca gado apreendido pela PF.
  • Repetição em excesso das mesmas palavras no texto.

 

Exemplo:

O ministro ainda tem muita influência no agronegócio. Ao ser preso, tinha uma pasta cheia de documentos falsificados, que tinha dinheiro suficiente para ele fugir e ir para qualquer país que tivesse menos vigilância.

A Clareza do texto

Você deve primar pela clareza de seu texto. Isso significa que suas ideias não podem parecer confusas e desordenadas ao seu leitor, nem passar a impressão de que você não se preocupou em revisar o conteúdo antes de entregá-lo a alguém para que o lesse.

Alguns fatores podem contribuir e muito para a falta de clareza e objetividade de um texto:

  • Ambiguidade (que pode ser causada pelo uso inadequado do pronome relativo que, do pronome possessivo de 3ª pessoa seu(s)/sua(s) e do gerúndio).

Exemplos:

  1. Convém conhecer os artigos da Constituição que os congressistas escreveram.

(Não se sabe ao certo se eles escreveram apenas os artigos da constituição ou toda a constituição)

  1. Encomendamos peças para os automóveis que vêm do Japão.

(Não se sabe se o que vem do Japão são as peças ou os automóveis)

  1. O gerente solicitou ao vendedor que lhe enviasse sua

(A planilha é do gerente ou do vendedor?)

  1. O pesquisador escreveu ao colega sobre suas

(As descobertas são do pesquisador ou do colega?)

  1. Caminhando, viram animais ao longo da estrada.

(Quem caminhava? Os que viram os animais ou os próprios animais?)

  1. Os policiais abordaram o assaltante atirando.

(Quem atirava?)

  • Má ordenação dos elementos da frase (produzindo sentidos absurdos ou ambíguos).

 

Exemplos:

  1. Temos desenvolvido vacinas eficazes na região afetada pela doença.

(Há duas possibilidades de interpretação: as vacinas eficazes são desenvolvidas na região afetada pela doença / as vacinas desenvolvidas são eficazes apenas na região afetada pela doença.)

  1. Contrata-se enfermeira responsável para cuidar de senhora de 20 a 25 anos.

(Obviamente a idade refere-se à enfermeira que vai ser contratada e não à senhora).

 

Estrutura frasal

 

Tudo o que foi dito até aqui mostra que é extremamente necessário entender bem como as frases são estruturadas e como se organizam seus principais elementos.

Sempre que comunicamos nossos pensamentos e experiências, utilizamos uma sequência de unidades que não é, de forma alguma, aleatória.

Precisamos organizar esses elementos (sons e palavras) de maneira que o conjunto formado seja aceito e entendido por quem nos ouve ou lê. A esse conjunto organizado de sons e palavras que transmitem nossas mensagens dá-se o nome de enunciado.

Frase nada mais é que é um enunciado capaz de transmitir o que pensamos queremos ou sentimos. Há frases de todos os tipos e tamanhos, desde uma simples palavra (Claro!/Socorro!/Depressa!) até orações e períodos de maior extensão, como os parágrafos do texto que você está lendo.

Chama-se oração a uma frase que se caracteriza por apresentar um elemento fundamental: o verbo. Com o verbo, normalmente se estabelece uma relação de sentido entre sujeito e predicado. Predicado é tudo aquilo que se afirma em relação ao sujeito na frase.

Exemplos:

  1. a) João é prefeito (João: sujeito; é prefeito: predicado)
  2. b) João tem problemas a resolver (João: suj.; tem problemas a resolver: predicado)
  3. c) João e Ana constituíram família há pouco tempo (João e Ana: ; constituíram família: predicado).

Se atentarmos para os verbos de b (ter) e c (constituir), veremos que eles necessitam de outros elementos que completem seu sentido, que são os chamados complementos verbais (ou objetos).

A frase em c tem um elemento acessório, circunstancial em relação à informação básica, que está centralizada no verbo e no complemento. Representado pelo adjunto adverbial há pouco tempo, esse elemento acrescenta uma ideia referente ao tempo da ação.

Por fim, pode-se dizer que estruturas como SUJEITO + PREDICADO NOMINAL (verbos ser, estar, permanecer, etc. + adjetivo predicativo), SUJEITO + PREDICADO VERBAL (verbo + complemento) ou SUJEITO+VERBO+COMPLEMENTO+CIRCUNSTÂNCIA são básicas na língua portuguesa.

Se você não tem ainda muita intimidade com a palavra escrita, um primeiro passo para escrever bem seria tentar não fugir muito dessas estruturas, procurando, sempre que possível, observar a ordem direta dos elementos que elas contêm, pois, do contrário, o risco de você produzir textos com os defeitos descritos acima é maior.

Veja o tema da redação do concurso do Banco do Brasil 2015.

Sobre Raul Junior

Fundador do site Provas de Concurso com o objetivo de ajudar concurseiros e estudantes, com dicas e informações sobre concursos públicos