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Emprego e Colocação de Pronomes Para Concursos

Em muitos editais de concurso público na disciplina de Português, são cobrados o emprego e colocação de pronomes, para escrever uma boa redação também é necessário colocar de maneira correta os pronomes na frase para que fique dentro da norma culta.

O que são Pronomes

Os pronomes são palavras que fazem referência a outras palavras que já apareceram em algum momento no texto.  Normalmente são empregados para citar, representar ou substituir os nomes (de pessoas, seres ou coisas), evitando-se a repetição incômoda dos mesmos.

Exemplo:

José Fernandes foi durante muito tempo consultor de nossa empresa. Seu conhecimento do mercado era fundamental para a tomada de decisões. Depois de trabalhar conosco por anos, ele optou por assumir um cargo na administração pública, deixando a empresa. Substituí-lo foi uma tarefa árdua.

Note que os pronomes seu, ele e lo substituem o nome José Fernandes sempre que se faz referência à essa pessoa ao longo do texto.

A adequada utilização de pronomes é ferramenta essencial para a organização do discurso, que poderá transparecer assim maior ou menor formalidade ou ser mais ou menos coloquial.

Ao longo da história, houve no Brasil uma generalização das formas você(s) e a gente no discurso informal, que passaram à condição de verdadeiros pronomes pessoais, posição antes exclusiva de tu, nós e vós (ainda predominantes em Portugal). De modo que aqui é bem mais comum você no lugar de tu, a gente no lugar de nós, e vocês no lugar de vós.

Uma das características da língua portuguesa que a diferencia de outras línguas é o fato de que se pode omitir o pronome pessoal nas formas em que ele funciona como sujeito, ou seja, eu, tu, ele, ela, nós, vós, eles, elas, pois as terminações dos verbos já indicam claramente as pessoas do discurso (1ª, 2ª ou 3ª).

Exemplo:

“Não temos informações sobre o homem que procuram. Não posso dizer se é da cidade ou se aqui residiu. Tens a minha palavra de que o que digo é a pura verdade. Se descobrirmos qualquer fato novo, te informaremos imediatamente.”

O sentido do texto é claro, ainda que não se tenham utilizado pronomes pessoais. A mensagem não foi prejudicada, pois as terminações dos verbos revelam quais são as pessoas do discurso no período.  Se assim mesmo resolvêssemos utilizar os pronomes, o texto ficaria assim:

Nós não temos informações sobre o homem que tu procuras. Eu não posso dizer se ele é da cidade ou se eleresidiu aqui. Tu tens a minha palavra de que o que eu digo é a pura verdade. Se nós descobrirmos qualquer fato novo, nós te informaremos imediatamente.”

Neste caso, os pronomes pessoais junto aos respectivos verbos do período não chegam a aperfeiçoar ou melhorar a mensagem. O que fazem é sobrecarregá-la. Dão ênfase excessiva às pessoas que representam.

Dessa forma, quando alguém emprega com frequência em seus discursos ou textos o pronome pessoal eu, revela claramente uma predisposição a enfatizar a si mesmo, o que não é elegante em termos comunicativos.

Para moderar essa “falta de modéstia discursiva”, o recomendável é empregar o meio termo, ou seja, a 1ª pessoa do plural nós. Nas palavras de Lapa (1970, p. 120),

Todo o escritor que deseje obscurecer a sua personalidade e fundir-se em simpatia com os seus leitores, empregará o plural de modéstia – nós. É também o estilo dos oradores e professores, que pretendem com isso diminuir a distância que os separa dos ouvintes.

Sons que mudam

Os pronomes pessoais, nas formas eu, tu, ele, etc., como vimos, são normalmente empregados como sujeitos da oração. Quando funcionam como complementos (objetos) dos verbos, esses pronomes têm formas diferentes (o, as, me, se, lhe, etc.). Vejamos um exemplo:

O representante de nossa cidade, Sr. Álvaro Luís, compareceu à assembleia. Encerrada a sessão, ele se encaminhou até à Câmara Municipal, onde o presidente da casa já o aguardava.

As palavras ele e o substituem o nome próprio Avaro Luís, sendo chamados, por essa razão, pronomes pessoais. O pronome ele é o sujeito da oração cujo verbo é encaminhou-se; o pronome o é o complemento do verbo aguardava, que tem por sujeito o presidente da casa.

Os pronomes o, a, os, as, que são algumas das formas que o pronome pessoal tem na função de complemento verbal, podem sofrer alterações, quando vêm depois do verbo (ênclise), se esse verbo terminar por r, s ou z.  Nesses casos, passam a lo, la, los, las, ocorrendo a queda daquelas consoantes.

 Emprego e Colocação de Pronomes Para Concursos

Exemplos:

  1. Deve-se amar o próximo. (= Deve-se amá-lo)
  2. Produzimos nossos relatórios com zelo. (= Produzimo-los com zelo)
  3. Os agentes procuraram combater a(s) epidemia(s) com novas técnicas. (= Os agentes procuraram combatê-la(s) com novas técnicas)
  4. O policial fez a(s) pergunta(s) de praxe. (= O policial fê-las)

Ainda na posição enclítica (depois do verbo), os pronomes o, a, os, as passam a ter as formas no, na, nos, nas, depois de verbos terminados em –am, -em, -ão, -õe.

Exemplos:

Os operários traziam suas ferramentas de casa.(= Os operários traziam-nas de casa)

O pai põe os filhos mais novos na escola. (= O pai põe-nos na escola)

Antes, no meio ou depois?

Os pronomes me, te, se, lhe, lhes, o, a, os, as, nos e vos são chamados pela gramática tradicional de PRONOMES PESSOAIS ÁTONOS.Funcionam na oração como complementos verbais (ou objetos). Estão sempre juntos a um verbo, podendo vir antes (próclise), no meio (mesóclise) ou depois dele (ênclise).

 

Exemplos:

  1. Diga-me a verdade.
  2.  Dedicar-nos-emos ao estudo.
  3. As notícias não se confirmaram.

Quando você estiver escrevendo, é importante que observe alguns critérios gerais para a colocação dos pronomes pessoais átonos.

  • Não inicie um período com pronome átono.

Exemplos:

  1. Entregou-lhe a carta de demissão. (e não lhe entregou).
  2. Relatem-me os fatos ocorridos. (e não me relatem).
  • Não coloque o pronome depois de verbos modificados diretamente por advérbios (bem, já, jamais, mais, mal, muito, menos, pouco, quanto, quase, sempre, só, tanto, etc.) ou palavras de sentido negativo (não, nem, nunca, ninguém, etc.).

Exemplos:

  1. Jamais nos envolvemos com corrupção. (e não jamais envolvemonos)
  2. Mal se viram, começaram a discutir. (e não mal viram-se)
  3. Muito me admiram suas declarações. (e não muito admiram-me)
  4. Ninguém nos convence do contrário. (e não ninguém convence-nos)

 

  • Não coloque o pronome átono depois de verbos no futuro (reprovará, compreenderá, permitirá, etc.) e no futuro do pretérito (reprovaria, compreenderia, permitiria, etc.).

Exemplos:

  1. A equipe de correção os reprovará. (ou o desusado reprová-los-á)
  2. Os policiais nos permitiriam (ou permitir-nos-iam) prosseguir se quisessem.
  • Não coloque o pronome átono após os verbos de orações interrogativas iniciadas por palavra interrogativa (quando?, quem?, por que?, quanto?, etc.).

Exemplos:

  1. Quem lhes informou do ocorrido? (e não quem informou-lhes)
  2. Quanto nos custou a reforma? (e não quanto custou-nos).

Referências:

LAPA, M. Rodrigues. Estilística da Língua Portuguesa. 6. ed. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1970.

Prof. Renato Cardoso Corgosinho

Sobre Raul Junior

Fundador do site Provas de Concurso com o objetivo de ajudar concurseiros e estudantes, com dicas e informações sobre concursos públicos